1984, George Orwell

Literatura universal contemporânea do século XX. Narrativa. Novela fantástica. Controle social. Liberdade. Antisistema. Grande irmão

  • Enviado por: Miguel Teixeira
  • País: Espanha Espanha
  • 9 páginas
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Biografia

Seudónimo de Eric Blair; Motihari, Índia, 1903 - Londres, 1950) Escritor britânico. Estudou no Colégio Eton e depois fez parte da Polícia Imperial Inglesa na Ásia, experiência que o levou a escrever Dias em Birmania (1934).

Viveu vários anos em Paris e em Londres, onde conheceu a pobreza; deste difícil período de sua vida nasceu sua novela Sem branca em Paris e em Londres (1933).

Suas experiências como colaborador dos republicanos na Guerra Civil espanhola (Orwell era socialista) as recolheu em seu interessante livro Homenagem a Catalunha (1938). Durante a Segunda Guerra Mundial fez parte da Home Guard e atuou na rádio inglesa. Em 1943 entrou na redação do diário Tribune, e depois colaborou de um modo regular no Observer. Neste período escreveu muitos de seus ensaios.

De modo geral, toda sua obra, incluída esta primeira etapa e as posteriores sátiras utópicas, refletiram suas posições políticas e morais, pois sublinharam a luta do homem contra as regras sociais estabelecidas pelo poder político. Seus títulos mais populares são Rebelião na granja (1945) e 1984 (1949), ficções nas quais descreveu um novo tipo de sociedade controlada totalitariamente por métodos burocráticos e políticos. Ambas se emolduram no gênero da literatura utópica ou de sátira das instituições.

'1984, George Orwell'

Na primeira, parodiou o modelo do socialismo soviético: as personagens são animais de uma granja que se rebelam contra seus donos, os homens, embora depois criam uma estrutura social pior que a de seus antigos donos: Lenin, Stalin, Trotski e outras figuras da cena política são representados por ditos animais. Como literatura, esta obra reúne as qualidades das fábulas tradicionais e a influência satírica de J. Swift.

A segunda leva como título no ano em que se localiza a ação: 1984. Nela imaginou uma ficção tão pesadillesca como na anterior: um mundo regido por grandes potências, Eurasia, Oceania e Ásia do Leste. A personagem protagónico, Winston Smith, é um servidor público do "Ministério da Verdade" entidade encarregada de controlar a informação; conhece a Julia e começam um relacionamento amorosa; depois tratam de lutar contra o poder do "Grande Irmão" (sucedâneo do Máximo Líder político), "chefe da Irmandade" (representante do Partido na política real), e vêem-se arrojados às peripecias próprias de um Estado totalitario moderno: a mirada policial que o penetra tudo, inclusive a intimidem.

Em tal sociedade a linguagem é adulterada pelo poder para distorsionar os fatos, ou mais exatamente, para criar uma nova realidade artificial; os sentimentos, ao igual que os prazeres (incluído o sexual), estão proibidos. Smith e Julia tratarão infrutiferamente de mudar as regras de jogo, em um mundo onde a lavagem de cérebro, o suborno, o controle e a manipulação da verdade são as chaves do totalitarismo perverso previsto por Orwell, caraterísticas e modos que pouco depois seriam habituais em numerosos países. Smith termina por converter-se em traidor, atrapado na rede da estrutura social.

A prosa de Orwell é realista e de grande qualidade narrativa. Em 1968 publicaram-se os volumes de Ensaios Completos: Jornalismo e cartas (1968). Entre outros de seus trabalhos críticos destacam os estudos que realizou sobre C. Dickens. Seus ensaios sobre problemas de política social possuem uma franqueza e clarividencia sem precedentes na literatura inglesa.

Influências literárias

Orwell dizia que seu estilo literário se aproximava bastante ao de Somerset Maugham. Em seus ensaios literários também alaba encarecidamente os trabalhos de Jack London, especialmente seu livro A estrada (The Road). O descenso de Orwell à vida dos mais desfavorecidos no caminho a Wigan Pier tem um parecido razoável com A gente do abismo (The People of the Abyss) de Londres. Em outros ensaios Orwell manifesta sua admiração por Charles Dickens, Herman Melville ou Jonathan Swift.

RESUMO

A história que narra esta novela decorre no ano 1984. O mundo está dividido em três grandes potências: Oceania, Eurasia e Ásia Oriental. Todas elas estão em guerra, às vezes com uma, às vezes com a outra. Não importa já o motivo desta, já que não há luta pelo comércio, como a cada região de autoabastece, nem pelo território, já que não há nenhuma necessidade de se expandir. Mas não é tão importante a guerra entre as nações como a que há dentro da cada uma delas.

No interior da Oceania que compreende o Canadá, América e As Ilhas Britânicas, a sociedade e o poder estão divididos de uma forma hierárquica e incuestionable. Há um só partido político que o dirige tudo: as leis, o comércio, os postos de trabalho, inclusive a vida das pessoas.

Já ninguém tem intimidem, tudo está controlado por telepantallas e microfones dos que ninguém, absolutamente ninguém pode ser livrado. Não há liberdade de ações, nem sequer de pensamento, já que todo aquilo que se considere que está na contramão da moral ou doutrina do Partido é chamado “crimenmental” e é castigado com a pena de morte.

O Partido tenta suprimir qualquer sentimento que não esteja relacionado com o temor, o medo, e principalmente o ódio. Inclusive o festejo nacional é a Semana do Ódio. Quer ser evitado qualquer relacionamento humano e para isso se fomenta o casal entre casais não apaixonados com o único fim de procrear embora se põe como melhor alternativa a inseminación artificial, a desvinculación e ruptura de qualquer laço familiar inclusive de pais a filhos... Pretende-se um mundo sem amor nem fidelidade, com filhos que denunciem a seus pais e esposas a seus maridos por crimenesmentales, embora seja mediante falsos depoimentos. Já não se faz distinção entre pessoas, senão que todos são camaradas uniformados de um mesmo modo, com um macaco azul escuro.

O Grande Irmão é o chefe do Partido, imagem suprema que está acima de todos. Depois estão os membros do Partido Interior. Por embaixo destes estão os do partido exterior, e por último as proles, gente normal e corrente, que constituem 85 % da população e no entanto são tomados como inferiores. A estes não se lhes controla de maneira tão rigorosa, já que não se lhes tem em conta como pessoas.

Em um mundo no que já ninguém desfruta de privacidade nem liberdade tenta viver nosso protagonista, Winston, que é um homem de uns 40 anos que se resiste a pensar da forma que diz o partido apesar de saber que o que faz lhe pode custar a vida. Trabalhava no Ministério da Verdade, e encarrega-se de modificar livros, jornais, documentos históricos... que acreditem que em um passado tinha uma melhor forma de vida com o capitalismo, que mostrem que alguma promessa de dita pelo Grande Irmão não se cumpriu para mudar por outra coisa que sim o tenha feito... Toda a sociedade acha estes enganos, estão educados desde que nascem para o fazer.

Winston já não aguenta mais e para poder expressar seus sentimentos decide se comprar um diário no anticuario de uma prole. Ele sabe que é algo muito arriscado e que se uma telepantalla lhe descobre sua vida se terá acabado, mas não se importa, já nada faz sentido. Neste diário escreve suas idéias mais secretas. Odeia ao Grande Irmão, ao partido, deseja encontrar e faz parte da chamada Irmandade, um grupo clandestino que tenta destruir ao partido. Pensa que a única esperança para a salvação está nas proles.

Em um dia nota que uma garota lhe está seguindo. Onde queira que vai, ela está ali. Quando já quase está convencido de que é uma espiã da Polícia do Pensamento e que lhe vai matar, ela lhe dá um papel no que lhe confessa seu amor. Isto faz a Winston apreciar mais sua vida e ter desejos da continuar. Mas sabe que é um relacionamento impossível, já que qualquer contato afetivo com outra pessoa está totalmente proibido. Começam a ver-se a escondidas. Primeiro em locais afastados, como um bosque, e mais tarde Winston lhe aluga ao anticuario, ao que lhe tinha comprado o diário um andar que começa a ser seu refúgio. Ali podem atuar como querem. Julia pode ser pintado, vestir-se como uma mulher e se tirar que o macaco azul de uniforme. Winston pode falar com toda tranquilidade de seus pensamentos na contramão do partido. Descobre que Julia também os tem e compartilham uma vida secreta, que embora se negam ao aceitar, sabem que terá um próximo e duro final. Mas não se conformam com o simples fato de cometer adultério, segundo o partido, senão que pela intuição de Winston de que Ou'Brian, um homem próximo a ele, é membro da Irmandade, decidem tentar pertencer a esta. Parecia que já o tinham conseguido, inclusive tinham um livro escrito por Goldstein, o cabeça de dito movimento clandestino, quando os pára a Polícia do Pensamento. Uma telepantalla na habitação alugada tinha estado espiándoles o tempo todo.

Levam-lhos e torturam-nos por separado, são submetidos a duros castigos de diversa índole. Confessam todos seus "crimes" e inclusive outros que não cometeram por não sofrer mais. Mas o objetivo do partido não é lhes produzir dor, senão modificar suas idéias, seu cérebro para fazer com que pensem como o Partido, que amem a este e ao Grande Irmão. Não só desejam um arrepentimiento sincero, senão uma reconversión. Ou'Brian resulta ser um membro dos que tentam que adotem a doutrina do partido como forma de vida, lhes enganou. Para isso lhes submetem às mais horríveis torturas, lhes fazendo enfrentar a seus medos mais profundos até conseguir o impossível: penetrar no cérebro e na alma de um homem com umas convicções muito arraigadas, despojando-lhe delas por completo. Todo o que se importavam agora lhes dá igual. decidiram não seguir lutando e aceitar a derrota. O sofrimento físico venceu-lhe. Apesar de sua fortaleza mental, submeteu-se e acabou aceitando qualquer mentira dita pelo Partido, e inclusive amando ao Grande Irmão. Uma vez mais o Partido venceu usando armas duras, e a esperança de que a Irmandade exista se pôs em dúvida.

Personagens:

Winston: É o protagonista principal e em quem centra-se a novela. Trabalha no Ministério da Verdade, e concretamente ele se encarregava de corrigir os `erros' que tinha nos jornais e demais. Ele sente ódio para o Partido e o Grande Irmão, se apaixona de Julia e juntos buscam a Irmandade, organização contra o Partido, ao final resulta uma armadilha e a Winston lhe fazem uma lavagem de cérebro para que creia no Grande Irmão.

Julia: Também é protagonista principal embora em menor medida que Winston. Ela ama a Winston embora seja 10 ou 15 anos maior que ela. Ao igual que ele, está na contramão do Partido, mas ela os odeia ainda mais. Ao final, apanham-na junto a Winston e torturam-na até que conseguem que ame ao Grande Irmão.

Ou'Brien: É um das personagens secundárias e aparece ao princípio como um possível membro da Irmandade, coisa que confirmam Winston e Julia na visita a sua casa, mas finalmente resulta ser todo uma armadilha e ele é um dos encarregados de lavar o cérebro aos presos, se centra em Winston e não cessa até que consegue o que queira.

Charrington: Outro das personagens secundárias e que ao igual que Ou'Brien, parece bom mas resulta não o ser. Ao princípio é o dono de uma loja em um bairro de proles. E aluga a habitação do andar de acima a Winston, dita habitação parece que está isolada de telepantallas e microfones mas Charrington resulta ser um mais da Polícia do Pensamento.

Tema principal

A principal idéia que se maneja nesta obra é a liberdade. Liberdade da que privam às personagens inclusive em suas próprias casas onde há instalado uma telepantalla que lhes espião dia e noite todos seus movimentos e sons, e por se fosse pouco, seus filhos recebem um ensino próprio dos espiões e chegam a delatar a seus próprios pais.

Essa falta de liberdade vê-se refletida em um controle social até limites insospechados como o caso citado anteriormente da telepantalla que leva a Winston a ocultar para uma coisa tão corrente como escrever um diário: `Sentado naquele oco e situando-se o mas dentro possível, Winston podia ser mantido fosse do alcance da telepantalla…'.

Dita telepantalla estava situada em todos os sítios; nos corredores do ministério, quando Ou'Brien lhe dá a direção a Winston `Se achavam em frente à telepantalla.' ; na rua; inclusive no cárcere, que `Tinha quatro telepantallas, uma na cada parede.'.

Aparte das telepantallas, em sítios como o campo, onde não é possível pôr uma telepantalla, ou simplesmente não resulta muito útil porque o campo de visão não o cobriria tudo, usavam microfones com os que captavam a voz das pessoas e posteriormente identificavam, um exemplo é quando ficam Julia e Winston no campo e ela lhe diz `Não quis falar na vereda por se talvez tinha algum microfone escondido.'.

Este controle social não era só com respeito à espionagem que sofriam continuamente, dia e noite, senão também ao âmbito da imprensa tanto escrita como visual (através da telepantalla que faz ao mesmo tempo de espiã como de televisão). Oceania, que assim se chamava seu país, estava em guerra com as outras duas superpotências, Eurasia e Ásia Oriental. Esta guerra variava, e às vezes estava aliada com Ásia Oriental e em guerra com Eurasia e outras vezes ao invés, mas o Partido dizia que sempre tinha estado com a mesma superpotência em guerra e para isso mudava todos os documentos onde dissesse o contrário para que não ficasse constância disso e nisso participava Winston, `Documentos e relatórios de toda classe, jornais, livros, brochuras de propaganda, filmes, bandas sonoras, fotografias… Todo isso tinha que ser retificado à velocidade do raio'

Com respeito a esta guerra também tinha vezes que diziam que `Um exército euroasiático avançava para o sul com aterradora velocidade.' e era impossível remediarlo mas aos poucos dias `Um agudo trompetazo perfurou o ar, era o comunicado, Vitória!' , com isto diziam que realizava uma manobra excecional e se tinha adueñado do território perdido, mas logicamente não era verdade nem sequer que um exército eurasiático lhes atacasse pelo sul.

Temas secundários

Como idéias secundárias aparece o amor de Winston e Julia, o ódio dos protagonistas para o Partido e em menor medida a vitória.

O amor pode ser apreciado durante a maior parte da obra, de Winston para Julia. Embora ele tem estado casado anteriormente com uma tal Katharine, não encontrou amor naquele relacionamento já que ela, segundo Winston, era uma `piensabien, isto é, que era ortodoxa por natureza' e simplesmente estava com ele para fazer o que dizia o Partido, ou seja, procrear sem que tivesse desejo nem amor de nenhum tipo.

Mas quando conheceu a Julia isto mudou, e embora Winston queria a matar por pensar que era membro da Polícia do Pensamento, ao final se apaixonaram e mostram seu amor durante praticamente toda a obra, começando quando `esta lhe tinha deslizado algo na mão, (…) um papel dobrado', e seguindo em suas numerosas citas a escondidas, onde ela lhe chama com carinho `querido', ou onde ele descobre o que sente por ela: `Uma funda ternura, que não sentia até então por ela, se apoderou subitamente dele.'

O ódio é mas por parte de Julia que por parte de Winston e o demonstra em comentários que faz como este: `Não, com esses porcos (referindo ao partido) não', ou simplesmente com pensamentos de Winston, `Eles, pelo visto queria dizer o Partido, sobre o qual falava julia com um ódio manifesto'.

Por último, a vitória, que pode ser apreciado principalmente ao final, quando Ou'Brien consegue o que queira, que traia a Julia quando lhe ensina as ratazanas e Winston diz `Lhes o faz a Julia! A meu não!' e fundamentalmente que ame ao Grande Irmão, que o acaba reconhecendo na última frase: `Amava ao grande irmão' e deixe de pensar como ele pensava antes, isto é, com idéias próprias, sentimentos de amor, etc.

George Orwell

1984

“Se quer fazer-te uma idéia de como será o futuro, imagina uma bota calcando um rosto humano incessantemente”