Contos brutais; Rodolfo Walsh, Abelardo Castillo

Literatura brasileira do século XX. Novela latinoamericana. Ficção. Argumento. Temática. Personagens. Padrão. Os censores. Em um escuro dia de justiça. Exercício do poder

  • Enviado por: SaMi
  • País: Argentina Argentina
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O tema a tratar neste trabalho é o relacionamento sujeito-instituição e seu meio. Vamos analisar os contos “Patrón”, “Lvos censores”, e “Oun escuro dia de justiça”, contos que podemos encontrar no livro Conto Brutais.

Os textos serão analisados da um, a fim de conseguir um maior entendimento do tema. Uma vez analisados individualmente, faremos um resumo geral no que compararemos as conclusões sacadas da cada análises.

Muitos de nós sabemos que a cada indivíduo tem um relacionamento direto com as instituições que há ao seu ao redor, isto é, a cada pessoa tem que ter em conta o local onde está parado para assim saber de que forma se comportar.

Em alguns casos as instituições proíbem-nos “”, em certa forma, realizar algum tipo de atividade “[…] os cento trinta pupilos do Colégio lavaram-se as caras, vestiram seus trajes azuis de domingo[...].Neste caso, aos alunos do colégio não se lhes permite vestir roupas de outra cor mas que o azul nos dias domingo.

Muitas vezes, não só são as liberdades do sujeito as que se vêem afetadas pela instituição, senão que também, em alguns casos, se vê afetada a felicidade do mesmo. No caso dos “ c ensores, Juan sofre por causa do medo de que sua carta, destinada a Mariana, não chegue, e a instituição interviniente é um mecanismo de controle, uma instituição social.

No livro Contos Brutais podemos diferenciar três tipos de instituições: a instituição familiar em Padrão “, a escolar em Um “ouscuro dia de j usticia, e a social em “ Osc ensores.

Neste último, a instituição, é um organismo de controle na qual Juan -personagem principal- se envolve voluntariamente.

Antes de que se envolva, a instituição gera nele um mal-estar do qual não pode ser desfeito. Juan tinha-lhe escrito uma carta a Mariana -com residência em Paris- e seu temor mas grande era que, essa carta nunca chegasse a seu destinatário e por consequente Mariana sofresse algum dano por sua culpa.

Este mal-estar que sua preocupação ia gerando, da pouco o consome a ponto tal de que essa carta e sua chegada se convertesse no centro de sua vida,”A carta. Essa mesma que agora lhe impede concentrar em seu trabalho durante o dia e não o deixa dormir quando chega a noite”.

Isto faz com que Juan queira fazer parte desse organismo censurador para assim poder examinar sua própria carta e a fazer chegar a Mariana -seu destinatário-.

Quando por fim consegue incorporar ao Departamento de Censura do Ministério de Comunicações -a instituição-, Juan, paulatinamente se vai compenetrando no trabalho, sem lhe importar que tão perigosa fosse a seção na que o destinariam, e muito menos o compromisso que esta demandava,”E pouco a pouco Juan foi habituando ao clima de concentração que o novo trabalho requeria […]”.

Depois de um curto tempo, Juan começa a perder sua essência como pessoa e se vai deshumanizando, vai perdendo da pouco seus principais valores, a ponto tal de se pôr na contramão de qualquer ato de compañerismo, solidariedade. Isto pode ser visto claramente quando ele se opõe a fazer uma greve que seus colegas queriam organizar para pedir acréscimo de salário, denunciando com o chefe -a máxima autoridade- “[…] Juan não se aderiu e após pensar um momento foi ao denunciar ante a autoridade […]”. Estas mudanças em Juan e essa preocupação exagerada por fazer “as coisas como se devem”, fazem com que acabe esquecendo o propósito pelo qual ingressava nessa instituição, cujo poder podemos ver refletido na loucura da personagem.

Esse poder que podemos observar nos permite também diferenciar como uma instituição pode ser, indiretamente, violenta. Neste caso particular, a violência que está sendo exercida afeta a parte psicológica do indivíduo; a censura das cartas, o medo a que os escritos não cheguem a tempo (ou nunca cheguem), vão gerando infinidades de preocupações, as quais não existiriam se este mecanismo de controle não estivesse.

Neste relato, a personagem principal - Juan- toma-se seu trabalho de maneira absorbente, move-se como se o único que importasse na vida fosse seu emprego, terminando assim com um prejuízo que acaba com sua vida.

No livro Contos Brutais, não só podemos ver casos de instituições exercendo poder e/ou violência em “ Osc ensores, senão que também essas caraterísticas as podemos apreciar em Um “ escuro dia de justicia, e “em Padrão.Este último é um conto no que aparece a família como instituição.

A família é uma instituição realmente poderosa; suas ações são indiretas, mas influem na vida dos indivíduos em uma medida muito importante.

A personagem principal deste texto é uma garota chamada Paula, a quem sua avó lhe impõe o casamento com “o padrão” -um homem muito rico e poderoso-”[…]a avó não sabia […] como fazer para disimular o assombro, a alegria, as vontades de presentear, de vender à neta”. E a partir dessa imposição começam os problemas para Paula, quem após casar com o padrão -Anteno- é forçada a ter um filho,” Se andás alçado, assim que me de um filho presenteio-ta” palavras dirigidas ao peão do velho.

Neste conto a demonstração da violência que uma instituição pode exercer sobre algum indivíduo a podemos encontrar com grande facilidade, vemos claramente como a avó tem total poder sobre Paula ao princípio do texto e exercendo uma violência psicológica imensa ao lhe impor o casamento. De todas formas, esta violência a podemos ver só se nos pomos a pensar no que acontecesse se Paula se tivesse negado à petição da idosa, já que isto lhe tivesse gerado uma culpabilidad indescriptible por não haver feito “o melhor para a família”, que é o se casar com alguém de prata e poder.

Também o podemos ver quando o velho lhe exige a Paula o ter um filho, no momento que isto acontece a personagem de Paula se codifica, isto é, que se converte em um objeto que lhe pertence a Antenor e que “serve” para ter filhos. Isto não só gera uma violência psicológica, já que Paula também sofre violência física, ela é obrigada a manter relacionamentos com o velho, por médio da força”[…] o velho brutalmente, a tumbaba sobre a cama, como um animal maneado”.

Para o final do conto, a situação Paula-Antenor reverte-se e passa a ser Paula quem tem o poder. Ela fica grávida e ele sofre um acidente pelo qual fica em cama; portanto é a rapariga a que deve ser encarregado do cuidar e de tomar as decisões da casa.

Nesse lapso, Paula despede a todos os empregados do velho, ficando assim só ela com ele na casa; e quando finalmente o filho que levava em seu ventre nasce, a mulher aciona de uma forma muito violenta para com seu esposo e filho, já que deixa ao menino com o velho encerrados em uma habitação até que estes morrem ”[…] ela deixou ao garoto sobre os lençóis, junto ao velho, que agora já não se ria”.

Portanto, neste texto não só podemos ver como os relacionamentos entre os indivíduos que se encontram dentro de uma instituição vão mudando, senão que também é fácil de reconhecer como e quem exerce poder e violência.

Por último temos ao conto “Em um escuro dia de justicia”, cuja instituição podemos recnocerla como uma instituição escolar. Aqui as personagens estão permanentemente acionando em torno desta instituição, vestem-se em torno dela, dormem em torno dela, comem em torno dela, em fim, toda sua vida se baseia nas ações que esta lhes permite realizar.”O celador Gielty subia mal um minuto para os ver se ajoelhar em seus camisones e recitar a oração noturna”.

Neste texto aparece a instituição que maior poder exerce sobre as personagens, - se o comparamos com os outros dois- já que é a instituição a que “diz” que é o que se deve e o que não deve ser feito. Também há uma diversidade notoria entre as personagens: o celador Gielty é uma entidade pela qual “a instituição” manifesta seu poder, isto é, Gielty é aquela pessoa que impõe regras dentro do colégio, é a ele a quem os alunos devem obedecer e é ele um dos encarregados de castigar a quem não cumpram com as regras impostas pelo estabelecimento. Em mudança, pessoas como Collins ou como O Gato, a única função que têm é a de seguir as regras ao pé da letra se é que não querem resultar prejudicados, isto é que não podem ser expressado com total liberdade.

Se tomamos em conta o fato de que o colégio exige um comportamento rígido e sem torceduras, então podemos entender que esse poder que a instituição exerce é também violento.

A violência que gera é, mais que nada, psicológica, já que nenhum dos pupilos tem liberdades como para se expressar, tanto falando da roupa como dos pensamentos que podem ter. Isto produz um deterioro na cada um dos alunos da escola; de todas formas, não são só eles quem sofrem esta violência, senão que também aquelas entidades poderosas. Por exemplo, o celador Gielty vai-se voltando louco pelo medo do a chegada de Malcolm e, no entanto, este tem que manter uma imagem em frente aos alunos, pelo que em certa forma também não tem a liberdade para expressar seus sentimentos, ”Porque conquanto os signos não foram evidentes para todos, o celador Gielty vinha enloqueciendo nos últimos tempos”.

Em conclusão, tanto “Um ouscuro dia de justicia como Padrão e “Osc ensores, são contos nos que as instituições têm muita influência sobre as personagens, exercem poder sobre a cada um deles e tudo gira em torno do que se lhes está permitido fazer -já seja direta ou indiretamente-.

Há instituições cuja influência é maior dependendo do contexto no que se encontrem os sujeitos. Por exemplo, as instituições familiares, de modo geral, têm uma forte importância na maioria das coisas, as ações quotidianas, a forma de vestir, a forma e o tipo de alimentação etc., isto é, a instituição familiar tem muita influência nos valores das pessoas, mas no caso de Um “ouscuro dia de j usticia, a família pouco tem que ver- embora vale enfatizar que a escola neste caso atua como instituição familiar- já que é a escola quem impõe as regras e as pautas a seguir. E no caso dos “c ensores, a instituição não teria a importância que tem, se não fosse pela relevância que Juan lhe dá.

Então já para finalizar, podemos dizer, que dependendo do local e das pessoas com as que se este tratando, uma instituição cobra importância ou não, e não só isso senão que também são as pessoas que se movem dentro dessas instituições quem lhe dão o poder.

Walsh, Rodolfo, “Em um escuro dia de justiça”; em Contos Brutais; Bs.As; Ed. O Cántaro;2001; p.20

Valenzuela, Luisa, “Os censores”, em Contos Brutais; Bs. As.; Ed. O Cántaro;2001; p.58

Ibidem; p.59

Ibidem; p.59

Castillo, Abelardo, “Padrão”, em Contos Brutais, Bs. As.; Ed. O Cántaro; 2001; p.45

Ibidem; p.48

Ibidem; p. 49

Ibidem; p.55

Walsh, Rodolfo, “Em um escuro dia de justiça”;em Contos Brutais; Bs. As.; Ed. O Cántaro; 2001; p. 21

Ibidem; p.20